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Uma Homenagem a uma Grande Amiga: Maria do Socorro Barbosa (Corrinha)

Nesta edição XLIII CIDADANIA E LUTA POPULAR, é mais que especial e profunda, reverbera a história de uma das educadoras sociais que permaneceu mais tempo no trabalho educativo, neste 40 anos que completa o CEMAR no dia 23 de março de 2026, e os 50 anos do casal alemão de Heriberto e Gerti e grupo. É uma história sobre cultivar, lapidar de forma humana, aprimorar, aperfeiçoar ou refinar no sentido de educar para se tornar sujeito de sua própria história. Neste contexto, narraremos a história de Maria do Socorro Barbosa (Corrinha), que iniciou seu trabalho ainda na antiga sede do Menor Carente, depois Clube do Menor Trabalhador e hoje CEMAR. Foram vários nomes dados antes de sua consolidação, e Corrinha ingressou no ano de 1987, em um período de extrema dificuldade. O Nordeste concentrava os maiores índices de pobreza e fome do país, reflexo de uma má distribuição de renda histórica e falta de industrialização comparada ao Sudeste.

Corrinha teve um papel fundamental nos grupos de geração de renda, esses espaços de conselheira, orientadora nessa área com os adolescentes na época e ainda aliada ao MNMMR, juntamente com o CMT, fazia militância de educadora social do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, que surgiu em 1985, no contexto da redemocratização do Brasil, impulsionado por educadores e militantes indignados com a violência e o abandono de crianças em situação de rua.

Sua criação consolidou o atendimento a essa população, sendo fundamental para a formulação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas também lembro que Corrinha, mesmo não sendo Assistente Social técnica nesse quesito e não havendo existência na época de assistentes sociais na Cidade, uma raridade ter uma profissional, Maria do Socorro já fazia acompanhamento, elaborava documentos e os encaminhava ao Juizado da Infância e Adolescência e Ministério Público. Isso é claro, vem bem antes do processo de luta pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS – Lei nº 8.742/1993).

No Brasil, foi um marco histórico de transição da caridade e filantropia para a consolidação da assistência social como um direito do cidadão e dever do Estado. Essa conquista foi fruto de intensas mobilizações sociais durante o processo de redemocratização. As educadoras sociais do Antigo Clube, hoje CEMAR, já se inseriam dentro desse contexto, mesmo ainda não tendo a lei regulamentada e aprovada. O trabalho que o CEMAR iniciou é Pombal PB, são poucas histórias de Municípios Brasileiros e nordestinos que tinham essas práticas.

E o CEMAR, com bons quadros qualificados, pessoas comprometidas a fazer a luta acontecer, nunca se curvavam ao sistema, porque acreditava e acredita na transformação social, e Maria Socorro Barbosa expressa muito bem o dito: “Assumir o risco. Não existem propriamente regras fixas de trabalhar com o povo. O que existem são apenas balizas, setas indicadoras. Cada um tem que assumir o risco, pois o risco faz parte de todo aprendizado que se funda principalmente na experiência.”

Acerta-se no trabalho popular através de “tentativas e erros”. É impossível dar sempre certo. Em nenhum lugar talvez mais do que aqui vale o dito de que é fazendo que se aprende. Daí a importância do processo como tal. “É no chacoalhar da carroça que as abóboras se acomodam”. “Se hace camino al andar” (A. Machado).

Isso não quer dizer que se deva proceder sem critérios ou precauções; que se deva ir em frente simplesmente, de acordo com a conhecida afirmação: “vai-se à luta, depois se verá”. Não. Não é permitido aqui nenhum tipo de pragmatismo frívolo ou ativismo grosseiro. Totalmente ao contrário: quanto mais delicada a tarefa, mais atenção, vigilância e seriedade se há de ter, tanto na prática quanto na compreensão da prática.

Como escreve Clodovis Boff, são muitas experiências bem-sucedidas de Corrinha, o trabalho com as famílias a identificou sobre aspectos de base, de orientações, de espaços de diálogo e compreensão, as formações, as datas comemorativas, os cartões de Natal confeccionados e direcionados por essa educadora que eterniza sua história e seu legado.

Uma das coisas que lembro das orientações de Corrinha era: “Tempos difíceis são passageiros e precisamos enfrentá-los, e momentos felizes precisam ser intensos e vividos com intensidade”. São tantas ações realizadas e orientadas por Maria do Socorro Barbosa que jamais podemos esquecer, faz parte de nossa história da transformação da vida de muitas crianças e adolescentes, jovens e famílias que estiveram no CEMAR.

Seus relatórios para a Alemanha eram impactantes, narrava as mudanças de vida das crianças e adolescentes. Socorro diz para mim: “Você já era para escrever um livro referindo-se à minha pessoa”, e eu digo: “A pessoa que seria mais fácil desta prática era Maria do Socorro, por toda a sua experiência vivida no CEMAR”.

Querida Socorro Corrinha, gratião sempre por seu olhar clínico e sincero. Boas lições em nossas vidas. De seu amigo sempre, José Ribeiro da Silva, seu ex-educando, amigo de trabalho.

Por: José Ribeiro da Silva

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